“QUAL A DIFERENÇA ENTRE O CHARME E O FUNK?”: MUSICALIDADES AFRODIASPÓRICAS NOS BAILES SUBURBANOS DO RIO DE JANEIRO DE 1980 Afro-diasporic musicalities in the suburban bailes of Rio de Janeiro in the 1980s
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Resumo
A partir de meados da década de 1980, o baile funk se constituiu como um dos espaços afrodiaspóricos de construção, de re(existência) e de pertencimento identitário de uma juventude suburbana majoritariamente negra e pertencente às classes mais subalternizadas da cidade do Rio de Janeiro. Lançado pelos MC's Markinhos e Dollores em 1994, no álbum Clube do balanço: o encontro do momento, o fonograma Rap da diferença propôs o seguinte questionamento: “qual a diferença entre o charme e o funk?”. A partir desse mote, os próprios artistas elencaram uma série de características de indumentária e de comportamento que supostamente diferenciariam os funkeiros – os frequentadores dos bailes funk – dos frequentadores dos bailes charme – os charmeiros. Neste artigo, a fim de contribuir para a discussão proposta pelos artistas supracitados, analisa-se o processo iniciado em meados da década de 1980 por meio do qual o funk e o charme passaram a designar musicalidades particulares. Com base em: a) entrevistas semiestruturadas com discotecários, DJs e Mcs de bailes suburbanos como Paulinho Black Power, o DJ Nazz e o MC Mano Teko, b) de pesquisa exploratória em álbuns fonográficos de meados da década de 1980, e c) utilização do conceito de musicalidade afrodiaspórica (Moutinho, 2020; Donato, 2021) exploram-se as condições históricas e sociológicas que permitiram o surgimento de diferenças entre as musicalidades afrodiaspóricas conhecidas como charme e funk. Esta diferenciação se caracterizou pelo processo de enunciação destas musicalidades no interior de suas próprias comunidades, em um prática diretamente observável na multiplicidade de experiências artísticas, estéticas e tensionamentos desenvolvidos por negras e negros em diáspora.
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